14.10.07

NOS VAMOS

Dia 15 de outubro, amanha, segundona, marchamos diretores, documenaristas, produtores e roteiristas rumo ao primeiro exercicio prático de documentário do curso. Uma semana depois chegam os fotógrafos e só na outra semana, já prontos para rodar, vem o povo de sonido. A volta para escola tá prevista para 16 de novembro.
Passamos essas quatro primeiras semanas em aulas mais teóricas do que práticas e agora mais uma vez é hora de por a mao na massa.
Entre outras coisas, isso significa um mes fora da escola e sem acesso a internet. Mas isso é só um detalhe da história, já que a experiencia tem tudo para ser das mais intensas do ano. Pelo menos segundo relatos do povo que passou por isso o antes da gente.
E bueno, como nao conhecemos o lugar, fica dificil imaginar o que pode sair de lá, que também é bom para chegar fresco e receber a inspiracao local. De qualquer forma tenho uma cartinha na manga pra casos de emergencia e falta de idéias que realmente parecam valer a pena.
O fato é que no meu caso especifico isso também significa ter contato pela primeira vez com a especialidade escolhida, o que é lindo. E que também dá medinho, obeveamente, afinal sao outras e maiores as expectativas. É a hora de cair a ficha que estou estudando para ser diretora de documentários, e juro que essa palavra me deixa tantico assustada.
As equipes sao integradas por diretor, produtor, roteirista, fotógrafo e sonidista. Meu grupo é formado por Johanne (Rep. Dominicana-produtora), Pablo ( Espanha- roteirista), Arturo (México - fotágrafo) e Jonathan ( México - sonido). Ah, sim, e eu, brasileira, dirigindo. Posso recramá nao. É um povo bao que só vendo. Ojalá a gente saiba trabalhar bem juntos.
No proximo post conto as historias aqui também.

O LUGAR DA MINHA COZINHA

Eu adoro dizer que sou uma nova mulher cada vez que passo por qualquer tipo de transformacao, qualquer mesmo. Se estou apertada para fazer xixi e finalmente consigo fazer, digo que sou uma nova mulher. Se comi depois de um periodo longo de fome, idem. Nem sempre digo quando tenho uma aula super boa ou leio algo que me marca bastante, mas enfim, também pode acontecer.
Mas agora sim é verdade, a mais pura verdade, é sim. Eu sou uma nova mulher e a razao dessa mudanca é que tenho praticamente uma cozinha inteira no meu quarto. Armei uma espécie de balcao a la chef jovenzinho ingles metido a frances, onde estao dispostos o escorredor de pratos, uma prateleirinha de temperos, potezinhos empilhados com quinquilharias, frascos de molhos diversos, azeite, talheres de cozinhar, um fogaozinho eletrico de uma boca e até um liquidificador. Como disse um amigo aqui, ¨o povo já tem até eletrodoméstico¨. É a ascensao social, minha gente. Uma beleza, pode crer.
Esse balcao na verdade é o que seria o maleiro do armário do quarto, mas para o qual, seguindo o exemplo de muitas pessoas, resolvi dar um uso mais interessante. E ai enquanto em cima é essa cozinha high tech, embaixo guardo pratos, talheres, panelas e potes de plástico, além do meu lindo estoque de secos - porque os molhados ficam fora do quarto, na geladeira que divido com a Jana.
Tudo isso para poder fazer comidinhas boas de vez em quando, melhorar a comida do comedor quase sempre, e receber os amigos.

NOVO!

Novas pessoas, novas aulas, novos professores, novas obras, novos equipamentos, é tanta¨novidade¨ que parece até campanha do Maluf - ou de relancamento dos mesmos produtos de sempre. E, como qualquer campanha do Maluf, também deixa no ar a sensacao incomoda de que nao há nada de novo.

NOTICIAS DO POVO

Faz 4 semanas que teve inicio desse meu segundo ano, já deveria ter mandado noticias, né messs? Pues, as coisas por aqui vao bem.
Tenho um quarto novo que parece casinha e me conforta. Levei tres dias para por as coisas em ordem, mas valeu a pena, porque nao conseguiria comecar direito o semestre enquanto ele nao estivesse em órdi. As portas estao abertas para visitas, cafés, comidas e papo furado, sim? Quando puder, vem ver como ficou.
Os dias tem sido ensolarados, com pancadas de chuva pela tarde. Lá pelas 4 horas, nao tem jeito, o aguaceiro vem que vem com tudo e acaba levando embora a luz. Mas tudo volta ao normal em menos de uma hora, sempre.
A familia também vai bem.
Mari demorou, mas chegou agorim, linda como sempre e cheia de cuidados com a súde porque tá ruizinha do estomago.
Fabinho nao resistiu aos encantos da viagem e voltou puro mexicano, além de ter encontrado animo para se juntar ao admirável clube dos que cozinham quase diariamente (um dia eu chego lá).
Mane além de trabalhar muito e fazer fama com seu segundo ¨longa¨, emagraceu horrores e continua a mesma louca de sempre. Vilma tambem, claro.
Joaquim as vezes parece isolado do mundo, as vezes é o melhor amigo de todos. Tá estranho esse moco e ainda nao descobri porque.
Capo continua peludo, sarcástico e terno, e nossas conversar ainda me parecem a forma mais divertida de se conhecer esse país.
Carlos e Ariel agora gritam ainda mais com a ajuda de 3 novos costariquenhos que se juntaram ao grupo dos ¨mae¨. Ariel, de quarto novo, é meu vizinho.
Jana e Pablo quando chegaram pareciam irmaos gemeos, coisa mais engracada do mundo. Engordaram juntos e ja estao emagrecendo juntos, trabalhando juntos, morando juntos, enfim, construindo coisas bonitas por aqui.
Karina descobriu que abracar amigos é uma delicia e anda a menos peruana e mais carinhosa de todos. Só perde pro Capo, que tem o dom de trazer rosas pros amigos em plena terca feira a noite.
Pedrim foi morar lá longe e tá tao cheio de trabalho e distracoes multiplas que nem sei dar noticias direito.
Bucas cortou o cabelo e tá a coisa mais linda, o velho lobo do mar, já retomando suas táticas infaliveis para espantar a solidao de vez em quando. Mamae, como sempre, fica orgulhosa.
O Ro? Bem, o Ro continua sendo um caso a parte, maldito menino talentoso que se esconde no quarto e só sai quando dá na telha. Pela cara corada e as mœsicas que anda ouvindo, parece que está bem.
Dani tem trabalhado muito, mas em compensacao outro dia teve sua noite dos sonhos: só música brasileira e zero regaeton, como ele sempre quis e do jeito que o povo em geral sempre recrama, rararara. Nao só ficou até o ultimo criente da festa como chegou a curtir um tempo sozinho a bagaca, extasiado, numa comunhao doida entre ele e seu computador, quando a cafeteria ja estava completamente vazia. Só saiu do transe quando a tiazinha da limpeza, as 7h da manha, pediu para ele levantar o pé para ela varrer. Pois é, esse é o Dani.
Jonathan ganhou um sobrinho de nome Leonardo e nem parece o velho macho mexicano. Tá, eu sei, ele nunca pareceu, mas é que essa coisa de sobrinho mexeu com ele. Tá babao demais da conta. Cortou o cabelo de novo e agora chega ao 27timo novo visual desde que entrou na escuela. Ah, sim, temos novos companheiros de comunidade. Sao muitos. Tem gente que ainda nao troquei palavra e gente que chegou chegando, uma beleza. Marcela é como se j‡ fosse daqui, Marquis enche os pasillos de cheiro bom, Julio é uma mistura de tanta coisa gostosa que nem parece de verdade. A brasileirada trouxe vibra mineira, paulista, potiguar e pernambucana. Adouro.
E no mais, a rotina de sempre. Aulas aqui, festas ali, filmes aqui, trabalhos allá, a ausencia presente de um povo que nao volta mais e a sensacao estranha de estar em uma casa e sentir saudade de outra.

NAO ERA MENTIRA

Mas por fim nao trouxe a tapioca. Deixei em casa, num quase ato reflexo de rejeicao já que a tentativa citada alguns posts abaixo foi um verdadeiro fracasso. Deixa a tapioca pra quem sabe preparar, né nao? Mas a massa de pastel veio e já tem data marcada para morrer. Depois envio relatos do ritual assassinístico.
Acho que esse ano nao perco quilos com a mesma facilidade…

QUANDO A FICHA CAI

Levei 28 anos pra me dar conta de que horizontal é a linha do horizonte.