COMECEMOS DO FINAL
...do nosso ultimo trampo do semestre passado, o documentario referido nos ultimos posts deste brógui, há dois meses atrás. Pois bem, resulta que editar e mixar o material coletado da maneira que descrevi ali embaixo, foi uma coisa doida. De novo. Nao quero parecer repetitiva, mas realmente me vi diante de situacoes que me chachoalharam. Como já comparti com algumas pessoas (aliás este texto tem muito desses ¨compartilhares¨), mais que todos os outros, esse foi um exercicio que fez cair muitas fichas com relacao a minha busca profissional aqui na escola. Questionar o porque de estar aqui, a responsa que representa, e principalmente, que diabos quero dizer pro mundo fazendo document‡rio? Pois é, a coisa foi nesse nível.Acontece que, depois das flores e rosas durante a pesquisa e a rodagem, quando chegamos na ilha da edicao o bicho comecou a pegar. Cheguei com o material e um roteiro detalhado, com decupagem e tudo, jurando que era só comecar a colar as bagacas, que a coisa sairia relativamente tranks. Mas nao foi assim. O que rolou foi que montamos a superestrutura e comecamos a afinar cortes, um ótimo momento também para ir provando variantes e identificando o que realmente funcionava e o que era melhor dar uma nova cara. Ai cortava daqui, colava de lá, picava daqui, enchia por la e a coisa nao saia. Ou melhor, saia de um jeito que a gente nao tava satisfeito. Chegamos ao último dia de edicao e o resultado nao agradava a ninguem da equipe. Foi muito ruim. Senti o peso do fracasso nas costas, chorei horrores, passei uma noite digerindo tudo, avaliando minha postura desde o comeco, o que tinha saido bem, o que tinha saido mal, onde enxergava erros, onde nao tinha nada de mal, e principalmente tratando de aceitar que como diretora, ou seja, cabeca de equipe, eu era também responsável pela insatisfacao e frustracao dos demais envolvidos no trampo.
Meu primeiro gradiente
Pois é, eu disse, foi muito louco. Fez cair minha ficha sobre a responsa que é viver o risco do sucesso e do fracasso permanente que está implicito nessa profissao que eu tou buscando. Cara eu acabo de filmar um docu em HDV, com uma equipe que incluia fotografo, produtor, sonidista, editor, enfim, um verdadeiro luxo no mundo real e pobrezim do document‡rio, sacomé? Nao dá para chegar num ponto em que ¨ok, entregamos qualquer coisa¨. Nao pode. Mas confesso que durante a crise da edicao eu cheguei a pensar inclusive nisso. Enfim, depois de avaliar tudo e conseguir por a cabeca no lugar, no dia seguinte nos reunimos todos da equipe, dispostos a conseguir melhorar nosso filho defeituoso.
Foram muitas lágrimas compartidas, muito pensar, provar, reavaliar, conversar e coisa e tal, até que conseguimos chegar a algo honesto e que tem a mao e a identificacao de todos. O mais legal é que a apresentacao do trabalho final foi bacana, sala cheia de gente e muitos elogios. Sai de la feliz. Mas sei que é um trabalho com muitos limites. Aliás outra parte da aprendizagem rolou agora, há poucos dias. A primeira oficina que tivemos esse ano foi sobre ¨producao para documentário¨, com uma argentina fodona, a Carmen Guarini, do Cine Ojo (www.cineojo.com.ar). Uma das primeiras coisas que ela pediu foi pra ver nossos documentários com a gente, para fazer uma avaliacao, já que finalmente comecamos a especializacao de documentário.Fazia um mes que tinhamos terminado tudo, entao o bacana foi, primeiro, poder ver de novo o trampo depois desse tempo. Parece que a gente consegue ver com outros olhos, muito mais críticos. E ai mesmo eu identifiquei muitas falhas do projeto que partem da concepcao, de ter comecado errado, porque afinal de contas é meu primeiro gradiente. Nao dá para querer que seja genial e revolucion‡rio, até porque eu nao tive essa pretensao em nenhum momento.
Enfim, dói e a gente aprende a ver os erros. Dizem que é parte do desenvolvimento do ser enquanto profissional, né? E assim foi. Pude entao ver as coisas com novos olhos e identificar coisas bacanas e problemas. E da parte da Carmen, bueno, ela deceu o cacete em todos e falou que a gente tem um looooooongo caminho pela frente, rarararararararara... Tem que rir para nao chorar.
Confissoes de adolescente
Mas é que nao tem jeito, as criticas dela eram todas pertinentes. Nem preciso dizer que isso desencadeou uma super crise no meu eu, né? Imagina, Angélica Valente acostumada a ser reconhecida pelo que faz, de repente se ve diante de um trabalho que a mulher acha fraco. Pior, que eu mesma acho fraco! Afe, fueda. No momento máximo da ultima TPM cheguei a pensar em sair da escola porque ¨eu nao tenho talento para isso entao tchau, vou virar cozinheira e ser feliz¨, rararararara. îbvio que nao vou fazer nada disso, mas que passou pela minha cabeca, passou. Ok, já passou. Superado o trauma e bola para frente, que o caminho é mesmo longo e eu tou muito disposta a seguir por ele. É nóis.

1 Comments:
Os arpistas passam 90% do tempo afinando as arpas e 10% tocando. Além disso, para alcançar um nível que seja considerado erudito, precisam estudar durante mais de 20 anos, aproximadamente 8hs por dia.
Acredito que você afinará seu instrumento e desenvolverá o modo de produção muito mais rápido que um arpista. É só o começo, e ninguém disse que seria um caminho fácil de ser percorrido. O objetivo é uma formação, o trabalho é consequência.
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