23.1.08

GUATEBUENA Y DOIDA

Heranca milenar, o costume de colocar ouro no dente é bastante presente por lá. Tem até criancinhas com dentes emoldurados ou desenhados em linhas douradas. Puro design!

Dificil acostumar com o fato de que a populacao anda por ai armada. Essa placa é da entrada de um parque, desses que o povo frequenta aos domingos. É preciso conhecer a história recente do país pra poder entender coisas assim... IMPORTANTE: durante nossos 15 dias por lá nao tivemos absolutamente nenhum problema com a violencia.
Um dos muitos onibus que pegamos, em companhia de dios...

OS TRES VIAJANTES

Imagem e semelhanca. Joaquin, em perspectiva com a montanha conhecida como ¨Perfil do Maia¨ou ¨Nariz do Indio¨. Sim, é de verdade. Parece mesmo que ali esta um grande maia deitado, feito de mato e terra.

Milafita, também conhecida como ¨Milafoto¨, a maniaca da cámara. Ao fundo, mais um vulcao guatemalteco, dessa vez em Antigua Guatemala.
Meu pé, meu querido pé, bem no meio do lago Atitlán.

ESTIVE NA GUATEMALA E LEMBREI-ME DE VC

Essa montanha ao fundo é um vulcao. Sim, um vulcao de verdade. O país tá cheio deles. Esse é um dos tantos que ficam as margens do lago Atitlán.

Duas miradas roubadas. Eu olho ele e ele me olha. Onibus en Antigua Guatelama.

Ok, eu sei que o carnaval já ta quase ai, mas como ainda nao tinha escrito, preciso contar (ou melhor, mostrar) coisinhas bacanas do fim de ano. Porque nesse fim de ano eu fui conhecer a Guatemala. E a Guatemala é o máaaaximo, rarararara. Viajamos juntos Milagro, Joaquin e eu, trio viajero integracao e paz total. Saímos daqui dia 23 de dezembro e ficamos por lá até 6 de janeiro. A idéia era conhecer boa parte do paés, mas sem tanta correria. Acontece que 15 dias para isso é pouco, por mais que estejamos falando de um lugar que é pouco menor que o estado de Sao Paulo. Entao acabou sendo meio correria messs, nao teve jeito. Conhecemos a capital, Antigua Guatemala, muitos pueblitos ao redor do lago Atitlán, Flores (onde ficam as ruinas de Tikal), Rio Dulce e Coban. Mas dessa vez, para nao ficar no blablablá de diário de viagem, preferi separar um par de fotos e compartilhar as imagens desse lugar genial que é a pequena e bela Guatemala.

FINALMENTE, QUESTAO DE TEMPO



¨Cuestión de tiempo¨ é o titulo do documentário que fizemos, que nasceu com o objetivo de tracar um panorama de duas realidades ideológicas presentes na Cuba de hoje. Uma delas é a dos que viveram o processo revolucionário e sabem que a transformacao da Cuba de Batista na Cuba de Fidel é um marco histórico e fundamental desse país. Essa visao nos dá Damian, um senhor de 77 anos que sentiu na pele as melhorias que vieram com a revolucao e que por isso mesmo segue sendo um grande defensor da Cuba Socialista. Conhecemos um pouco da sua história, mas principalmente sua ideologia, por meio de suas décimas, que sao uma espécie de repente muito comuns aqui em Cuba. A outra parte quem nos conta é René, um jovem de 23 anos, rapper e poeta, que chegou ao mundo e encontrou uma Cuba Revolucionária em plena crise. Conhecemos seu trabalho e suas idéias, que também defendem os ¨logros¨ da revolucao, mas que identificam muitos pontos que pedem mudancas e transformacoes, porque a Cuba dos anos 2000 nao é a mesma Cuba dos anos 1960. Como um diálogo indireto, nos aproximamos dos dois personagens e, por meio de suas rimas, identificamos pontos em comum e pontos dissonantes dessas vozes.

COMECEMOS DO FINAL

...do nosso ultimo trampo do semestre passado, o documentario referido nos ultimos posts deste brógui, há dois meses atrás. Pois bem, resulta que editar e mixar o material coletado da maneira que descrevi ali embaixo, foi uma coisa doida. De novo. Nao quero parecer repetitiva, mas realmente me vi diante de situacoes que me chachoalharam. Como já comparti com algumas pessoas (aliás este texto tem muito desses ¨compartilhares¨), mais que todos os outros, esse foi um exercicio que fez cair muitas fichas com relacao a minha busca profissional aqui na escola. Questionar o porque de estar aqui, a responsa que representa, e principalmente, que diabos quero dizer pro mundo fazendo document‡rio? Pois é, a coisa foi nesse nível.Acontece que, depois das flores e rosas durante a pesquisa e a rodagem, quando chegamos na ilha da edicao o bicho comecou a pegar. Cheguei com o material e um roteiro detalhado, com decupagem e tudo, jurando que era só comecar a colar as bagacas, que a coisa sairia relativamente tranks. Mas nao foi assim. O que rolou foi que montamos a superestrutura e comecamos a afinar cortes, um ótimo momento também para ir provando variantes e identificando o que realmente funcionava e o que era melhor dar uma nova cara. Ai cortava daqui, colava de lá, picava daqui, enchia por la e a coisa nao saia. Ou melhor, saia de um jeito que a gente nao tava satisfeito. Chegamos ao último dia de edicao e o resultado nao agradava a ninguem da equipe. Foi muito ruim. Senti o peso do fracasso nas costas, chorei horrores, passei uma noite digerindo tudo, avaliando minha postura desde o comeco, o que tinha saido bem, o que tinha saido mal, onde enxergava erros, onde nao tinha nada de mal, e principalmente tratando de aceitar que como diretora, ou seja, cabeca de equipe, eu era também responsável pela insatisfacao e frustracao dos demais envolvidos no trampo.

Meu primeiro gradiente
Pois é, eu disse, foi muito louco. Fez cair minha ficha sobre a responsa que é viver o risco do sucesso e do fracasso permanente que está implicito nessa profissao que eu tou buscando. Cara eu acabo de filmar um docu em HDV, com uma equipe que incluia fotografo, produtor, sonidista, editor, enfim, um verdadeiro luxo no mundo real e pobrezim do document‡rio, sacomé? Nao dá para chegar num ponto em que ¨ok, entregamos qualquer coisa¨. Nao pode. Mas confesso que durante a crise da edicao eu cheguei a pensar inclusive nisso. Enfim, depois de avaliar tudo e conseguir por a cabeca no lugar, no dia seguinte nos reunimos todos da equipe, dispostos a conseguir melhorar nosso filho defeituoso.
Foram muitas lágrimas compartidas, muito pensar, provar, reavaliar, conversar e coisa e tal, até que conseguimos chegar a algo honesto e que tem a mao e a identificacao de todos. O mais legal é que a apresentacao do trabalho final foi bacana, sala cheia de gente e muitos elogios. Sai de la feliz. Mas sei que é um trabalho com muitos limites. Aliás outra parte da aprendizagem rolou agora, há poucos dias. A primeira oficina que tivemos esse ano foi sobre ¨producao para documentário¨, com uma argentina fodona, a Carmen Guarini, do Cine Ojo (www.cineojo.com.ar). Uma das primeiras coisas que ela pediu foi pra ver nossos documentários com a gente, para fazer uma avaliacao, já que finalmente comecamos a especializacao de documentário.Fazia um mes que tinhamos terminado tudo, entao o bacana foi, primeiro, poder ver de novo o trampo depois desse tempo. Parece que a gente consegue ver com outros olhos, muito mais críticos. E ai mesmo eu identifiquei muitas falhas do projeto que partem da concepcao, de ter comecado errado, porque afinal de contas é meu primeiro gradiente. Nao dá para querer que seja genial e revolucion‡rio, até porque eu nao tive essa pretensao em nenhum momento.
Enfim, dói e a gente aprende a ver os erros. Dizem que é parte do desenvolvimento do ser enquanto profissional, né? E assim foi. Pude entao ver as coisas com novos olhos e identificar coisas bacanas e problemas. E da parte da Carmen, bueno, ela deceu o cacete em todos e falou que a gente tem um looooooongo caminho pela frente, rarararararararara... Tem que rir para nao chorar.

Confissoes de adolescente
Mas é que nao tem jeito, as criticas dela eram todas pertinentes. Nem preciso dizer que isso desencadeou uma super crise no meu eu, né? Imagina, Angélica Valente acostumada a ser reconhecida pelo que faz, de repente se ve diante de um trabalho que a mulher acha fraco. Pior, que eu mesma acho fraco! Afe, fueda. No momento máximo da ultima TPM cheguei a pensar em sair da escola porque ¨eu nao tenho talento para isso entao tchau, vou virar cozinheira e ser feliz¨, rararararara. îbvio que nao vou fazer nada disso, mas que passou pela minha cabeca, passou. Ok, já passou. Superado o trauma e bola para frente, que o caminho é mesmo longo e eu tou muito disposta a seguir por ele. É nóis.